Slow Fashion

O que é a Moda Slow?

Foto: notjustalabel
Foto: notjustalabel

O slow não é um conceito que vai e vem. Na moda, é um movimento sustentável, uma alternativa à produção em massa, que vem ganhando força e veio pra ficar. Foi criado pela inglesa Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável do britânico Centre for Sustainable Fashion, inspirado no movimento Slow Food. Assim como em relação à nossa alimentação, ele incentiva que a gente tenha mais consciência dos produtos que consumimos, retomando a conexão com a maneira em que eles são produzidos e valorizando a diversidade e a riqueza de nossas tradições.

A gente sabe que a indústria mainstream da moda depende dessa produção em massa, onde oferecem preços muito baixos e inúmeros lançamentos e coleções. Tudo em um tempo curtíssimo – do processo de design (e das réplicas das tendências apresentadas nas passarelas) para as lojas. E o objetivo é pra facilmente nos seduzir a comprar bem mais do que precisamos. Só que esse consumo excessivo, como já falamos antes, traz um preço oculto para o meio ambiente e para os trabalhadores da cadeia de produção.

A moda slow representa todas as coisas “eco”, “ética” e “verdes” em um movimento unificado. Carl Honoré, autor do livro “In Praise of Slowness” (“Devagar”, na versão em português), diz que a “abordagem lenta” intervém como um processo revolucionário no mundo contemporâneo, pois incentiva a tomada de tempo para garantir uma produção de qualidade, pra dar valor ao produto e contemplar a conexão com o meio ambiente. (Leia mais sobre o Movimento Slow, como um todo, e o Slow Living).

Um olhar abrangente e holístico: A moda slow incentiva que possamos reconhecer, de vez, que os impactos de nossas escolhas (de consumo, principalmente) afetam o ambiente e as pessoas. Assim como as decisões dos produtores, designers, fabricantes e varejistas, todos interligados ao sistema ambiental e social, em que podem escolher gerar impactos positivos.

Menos consumo: A moda slow questiona a ênfase do fast fashion na imagem e no novo, no lugar da manutenção das roupas que já temos. Sugere então uma ruptura com esses valores e objetivos que são baseados apenas no crescimento. Incentiva um modo de pensar, agir e consumir com os clássicos “qualidade sobre quantidade” e “menos é mais” – além de resgatar o valor das roupas removendo a imagem da moda como algo descartável e o consumo como uma fonte (infinita e impossível) de superação de frustrações.

 

Por uma indústria que valoriza as pessoas, o meio ambiente, a criatividade e o lucro em igual medida – a moda como uma força para o bem. (Fashion Revolution). Imagem: notjustalabel
Por uma indústria que valoriza as pessoas, o meio ambiente, a criatividade e o lucro em igual medida – a moda como uma força para o bem. (Fashion Revolution). Imagem: notjustalabel

Diversidade: Produtores da moda slow se esforçam para manter a diversidade ecológica, social e cultural. Modelos de negócios diversificados e inovadores são incentivados: dos designers independentes às lojas de segunda mão, bazares e etc, todos reconhecidos no movimento do slow fashion. Manter vivos os métodos tradicionais de fabricação, como o feito à mão e as técnicas de tingimento naturais, além da história por trás de cada peça de roupa, também fornecem a vitalidade e o significado para o que vestimos.

O “lento” do slow não é pensado como velocidade. Mas sim numa visão de mundo diferente, que promove o prazer da variedade e da importância cultural. Porque se tem algo que a globalização da moda causou é que tudo ficou muito parecido e homogêneo, não é? Todo mundo se vestindo praticamente igual. Culturas lindas e únicas se desfazendo, como por exemplo as vestimentas da Índia e da África sendo substituídas pelas mesmas roupas ocidentais. O conceito desafia então essa obsessão da moda rápida com a produção em massa e o estilo globalizado, e promove a diversidade e a democratização da moda.

Construção de relacionamentos: Construir relacionamentos entre produtores e co-produtores é uma parte fundamental do movimento. Relações de confiança entre criadores e consumidores de moda só  são possíveis em escalas menores.

Desenvoltura: As marcas de slow fashion se concentram na utilização de materiais e recursos locais, sempre que possível, e tentam apoiar o desenvolvimento das empresas e talentos locais.

Manter a qualidade e beleza: Priorizar um design clássico sobre as tendências passageiras contribui para um tempo de uso muito maior das nossas roupas! Uma série de designers de slow fashion garante a durabilidade usando tecidos de alta qualidade, oferecendo cortes tradicionais e criando belas peças atemporais.

Rentabilidade: O preço das roupas reflete seu custo real. Os preços são muitas vezes maiores, porque eles incorporam recursos sustentáveis e salários justos. Mas, é só pensar no número de vezes que iremos usar essas roupas, e no seu incomparável caimento e qualidade, que vemos que o investimento vale muito a pena!

Praticar a consciência: Isso significa tomar decisões baseadas em paixões pessoais, personalidade e estilo próprios. Uma consciência da conexão com os outros e com o meio ambiente e a vontade de agir de forma responsável. Dentro do movimento slow fashion, muitas pessoas amam o que fazem, e aspiram fazer a diferença no mundo de uma forma criativa e inovadora.

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Sobre Bruna Miranda

Bruna Miranda é mineira, jornalista, consultora em Slow Living e idealizadora do Review, plataforma de conteúdo e serviços que promove o Slow Living – em uma busca por Equilíbrio, Melhores Escolhas e Inovação – através de uma abordagem contemporânea e expressão minimalista brasileira e indo de encontro à linguagem global desse comportamento.

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