Vai viajar? O Slow Travel nos ajuda a aproveitar ainda mais

Já estamos na alta temporada. Quase na hora das férias de verão, natal, reveillon e carnaval. Muita coisa boa reunida! O merecido descanso, viagens, praia, sol, piscina e etc. Mas não podemos nos esquecer que é também a época de lotações, preços altos, estrada e cidades cheias e filas. Viajar para cumprir à risca uma famosa rota turística na correria para dar tempo de (tentar) conhecer tudo? Chegar no supermercado pra comprar alguns ingredientes para fazer o jantar e parecer que o lugar foi saqueado, além do tempo para conseguir chegar no caixa para pagar? (Essa foi uma experiência que passei durante um reveillon com amigos no litoral paulista, uns anos atrás). Acho que infelizmente todo mundo deve ter alguma lembrança do tipo. Como resultado, uma viagem que foi boa, mas em que voltamos para casa mais cansados do que fomos.

Também inspirado nos conceitos do slow food, o slow travel chegou como um movimento crescente que identifica a pressa como a maior inimiga das viagens agradáveis.

"A segunda metade do século XX pode ser definida como o período de afirmação do turismo, mas também a etapa em que se iniciou o processo de massificação dos destinos e a perda de originalidade dos territórios. A construção desenfreada, as cargas turísticas excessivas, a sobrecarga dos recursos naturais e culturais, tudo foi possível em nome de um desenvolvimento rápido e de uma avidez de consumo. Como resultado, nos deparamos hoje com lugares descaracterizados, onde a cultura local desapareceu ou foi profundamente alterada, espaços onde as populações locais viram prejudicadas as suas expectativas e o seu dia a dia e, em vez do suposto desenvolvimento, os destinos viram as suas oportunidades de sustentabilidade comprometidas. O turismo massificado é impessoal, onde o turista é um número e não vivencia o destino mas sim um “faz de conta” folclorizado. O Slow Travel pode ser definido como a oportunidade do visitante em se tornar parte integrante do destino, contactando com a população e com o território, em um ritmo adequado à absorção da cultura local. Este movimento silencioso contraria o estilo de turismo que se afirmou no século passado, ou seja, os all-inclusive, as excursões programadas e planejadas, os horários rigororos, etc. O Slow Travel valoriza a estada prolongada, com tempo suficiente para ir mais além do que o “must see”. Contactar com espaços locais, de pequena dimensão, com os produtores, com os mercados, com as populações, visitar aquela pequena igreja ou restaurante que não constam nos guias, ou seja, explorar, descobrir, usufruir, são os princípios do “Slow Travel”. Uma “forma de estar” que surge como um contra-ciclo ao que é estipulado pelos grandes operadores turísticos. Tornar-se parte do local que se visita, apreciar as paisagens, conversar com quem ali vive, procurar entender as pessoas, os modos de viver, os espaços. Escolher os locais com que mais nos identificamos e passar horas por lá. Conhecer a pé, de bicicleta… Participar nas atividades locais, contribuir para o seu desenvolvimento. O Slow Travel não está voltado unicamente para os espaços rurais, apesar destes possuírem especificidades para a sua prática. Os espaços urbanos podem e devem ser alvo da interpretação segundo os padrões do Slow Travel, potenciando a sustentabilidade, as economias locais e uma verdadeira nova experiência ao visitante. O movimento não é uma moda, mas sim um estilo de vida baseado nos novos padrões comportamentais assumidos por uma sociedade consciente. – Slow Movement Portugal

Adaptamos algumas dicas do Ricardo Freire, do site Viaje na Viagem, à revista Época, em 2007, mas ainda tão atuais:

– Leia o jornal local. Não há maneira mais intensa de viver o momento longe de casa do que compartilhar o que é importante para os moradores do lugar. Mesmo que você não domine o idioma, descobrirá coisas que darão ainda mais significado à sua estada.

– Não seja escravo do celular, de tirar fotos sem parar e de uma grande preocupação em postar no facebook e instagram. Aproveite para usufruir de verdade cada momento, desacelerar e desconectar. (Essa parte eu atualizei porque em 2007 as coisas nesse aspecto ainda eram mais tranquilas, rs).

– Não perca o sono nem se submeta a várias filas por dia só para encaixar o máximo de monumentos e museus em seu dia. Pouquíssimos serão tão inesquecíveis quanto aquele almoço fabuloso e relaxado que você queria que não acabasse nunca.

– Troque o “pinga-pinga” por bases de exploração. Ao invés de programar aquela viagem comprida com uma noite em cada lugar, conheça melhor cada lugar. A vontade de conhecer 7 países em uma semana, por exemplo, é tentadora – ainda mais quando vamos para longe, em outro continente – mas vale a pena ir com calma e andar à toa em menos lugares; conhecer pontos que não são necessariamente os mais famosos do local. Aquela dica que vai ser só sua! Tire um dia para se perder, reserve ao menos um dia para passear sem guia ou roteiro de viagem. Devagar, devagarzinho, você vai fazer as melhores descobertas. Melhor ainda se você estiver hospedado como um morador da cidade. Para isso, opções de estadia como o Airbnb são as melhores!

E seguem aqui outras dicas também interessantes vindas dos 10 mandamentos do Slow Travel:

– A chave para viajar devagar é um estado mental. Isso pode começar a ser desenvolvido em casa. Foque em seu bem estar e em uma mente serena, na medida do possível, para te fazer bem em qualquer situação, inclusive ao programar uma viagem.
– Se for possível, que tal viajar em um trem que oferece uma vista incrível e possibilidades de conexão com a paisagem?
– Você pode estar ansioso por chegar ao seu destino escolhido, mas não deixe que a ansiedade dilua o prazer da viagem em si.
– Vá aos mercados e lojinhas locais. Tente experimentar alimentos e pratos típicos.
– Mergulhe na cultura dos cafés. Ao se sentar em um café, você se torna parte da paisagem da cidade, não só um observador transitório.
– Dedique um tempo para sentir um pouco os idiomas e dialetos das áreas que você visitar. Aprender algumas frases com a ajuda de moradores e do dicionário.
– Envolva-se nas comunidades do modo certo. Escolha opções de comidas e acomodações que estejam de acordo com o lugar por onde você está viajando.
– Faça o que os locais fazem, não só o que os guias turísticos dizem.
– Saboreie o inesperado. Demoras nos trens ou ônibus perdidos podem criar novas oportunidades.
– Pense no que você pode fazer para retribuir às comunidades que você visita.

“O Slow Travel não tem a ver com dinheiro ou privilégio. É um estado mental. Tem a ver com ter a coragem de não seguir apenas os caminhos pré-estabelecidos pela massa.” (Slow Travel Manifesto)

Finalizo com alguns links interessantes para quem quiser buscar mais dicas e informações. E em nosso Guia Slow Living você também pode conhecer outras possibilidades de se colocar o slow travel em prática. Boa viagem!

Passaporte Verde: lançado em 2008 em uma parceria do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, os Ministérios do Meio Ambiente e do Turismo do Brasil, o Ministério Francês do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e outros parceiros, a campanha apresenta formas simples para que os viajantes tornem o turismo uma atividade sustentável, que respeita o meio ambiente e a cultura ao mesmo tempo em que promove o desenvolvimento socioeconômico das comunidades receptoras.

Slowtrav e SlowEurope: sites com dicas, hotéis e roteiros de viagem, casas e vilas para alugar, artigos etc.

Low Carbon Travel: sobre como viajar minimizando sua pegada de carbono no planeta.

Vem ver as Malinhas da nossa parceria com a Gioconda Clothing pra você se aventurar!

review slow living

 

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